presépio-presepada

Dos muitos textos que não são meus, mas eu gostaria de ter escrito porque expressam o que penso/sinto/acredito.

(está em primeira pessoa, mas talvez você se identifique).

Eu sou a pessoa insensível as luzes de natal. Sou o descaso em frente a vitrine. Prefiro o presente coerente, a vista, do que o estrago em 15x com juros. Sou a tristeza só, aguda, e cada vez mais só, ao ver a decoração americana invadir nossas avenidas quentes. Não gosto dos cartões, das embalagens especiais, não gosto das músicas em looping e o som dos sinos me irritam. Não gosto de mais carros sendo sorteados. Os carros sorteados serão os carros que nos irritarão no próximo ano. Mais trânsito, mais ilusões, mais insatisfação, e ao mesmo tempo não entendo porque os presentes precisam ser dados apenas para os que se comportaram bem, quando na verdade os que se comportaram mal são justamente os que precisam ser compreendidos por um amor que se diz maior. Eu não me comportei bem, eu não fui uma boa menina, segundo os padrões que nos enfiam goela abaixo, e até mesmo o contrário, goela abaixo eu virei os desaforos e as bebidas que aqui embaixo são padrão. É um mundo louco, potencializado pela euforia natalesca, pelo consumo lícito, que assim como os velhinho de barba branca, se fantasiam de magia pra enganar a gente. Se eu fosse acreditar no natal que me vendem, eu não acreditaria mais em nada. Se eu comprasse o natal que me vendem, nunca seria o bastante, e tem mais: sou o nervosismo na barriga, não pelo comentado fim do mundo, mas pelo mundo continuando vivo, pulsando, girando, morrendo não em um dia, mas a cada dia, lentamente, pelas nossas próprias mãos, cada vez mais más, violentas e taradas. Unhas cada vez mais roídas, mãos corruptas e recolhidas. Não sei esconder meu desapego a todas essas mentirinhas, e ao mesmo tempo não consigo deixar de pensar no porteiro do meu prédio, que vai trabalhar na noite de natal. Não é sensacionalismo, é só uma noção que luto para não perder no meio de tantos presentes. Um exercício desaforado contra o calendário que tenta mudar nossa essência e nossa existência. Recado para as agendas de 2014: ano que vem, continuaremos a ser gente. E seremos mais felizes com os pequenos rituais, do que com os grandes enfeites que nos torna tão parecidos e tão sem indentidade. E você pode estar torcendo seu nariz, pensando que é insensibilidade pensar assim. Mas ainda mais insensível é a postura do mundo, em achar que você vai cair mais uma vez nessa história, né?

Duas verdades incontestáveis que alimentam mais que tender, confortam mais que vinho e enriquecem mais que presentes:

1- Aqueles reis magos não procuravam o natal, eles procuravam uma resposta.
2- Jesus nasceu no silêncio.

O primeiro natal aconteceu de um jeito esquisito. Tão sincero, que não deu pra todo mundo ver. Nem todo mundo vê a sinceridade e entende isso como festa, mas acredite: essa é a verdadeira festa! Mesmo se você estiver longe da sua família, mesmo se você estiver perto da sua família e ainda assim, longe. Mesmo se você estiver sem grana, sem amor, sem paciência. A festa aconteceu com pouco. A sinceridade é para poucos. Lá no início, foram só 3. Tomara que a gente seja um deles. Assim nos gastaremos com coisas mais eternas, e não nos cansaremos tão fácil.

Não é sobre o presente-presepada.
Não é sobre o presépio-tradição.
É sobre propósito.

Tire os olhos da manjedoura fofa e lembre-se da trejetória forte.

Jesus nasceu e foi natal, mas ele aconteceu nos outros dias.

Feliz.

(Luciana Elaiuy)

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