Lua Nova

em

“O amor, a vida, o significado…acabados.

Naquela noite o céu estava completamente negro. Talvez não houvesse lua – um eclipse lunar, uma lua nova.

Uma lua nova. Eu tremi, embora não estivesse com frio.” (Bela Swan, Lua Nova, Pág. 61.)

Talvez esse trecho defina exatamente quem era eu e como me senti naquele outro dia, quando o chão se abriu sob  meus pés e eu realmente não tive para onde ir ou a quem chamar. Só havia eu, você (que insistia em ficar) e um fim prematuro de algo que nunca sequer havia começado.

Como é possível que uma expectativa destrua um mundo desse jeito? Ou melhor, como é possível que uma expectativa crie um mundo inteiro desse jeito?

Mas essa sou eu! Intensa. Criativa. Um turbilhão de pensamentos e sentimentos. Não sei ser menos que isso, não sei controlar o que penso, o que sinto, como expresso, não sei ser metade de nada. Sou inteira. Sinto inteira. Crio inteira. Vivo inteira. Amo inteira. Sofro inteira. Não consigo ser diferente do que sou, não sei fingir ser quem não sou. Essa sou eu, tudo em mim e comigo acontece intensa e energicamente.

Depois dali, me vi em um dilema que nem Tiê ou Roberto conseguiriam descrever em canções. Minha personalidade não me permite viver e seguir como se aquilo nunca tivesse acontecido, como se nada do que eu vi dentro de mim e depois nos seus olhos fosse real. Não dá pra conviver com meias verdades, com uma doce ilusão ou com um “daqui a pouco tudo volta ao normal”.

Não sou eu essa pessoa que finge que passou e supera, e dança como se a música não tivesse mudado o ritmo. Não sou ou não era eu, essa pessoa. Não eu que seguia fielmente o “8 ou 80”, não eu que te odiei tanto por te amar, não eu que te odiei por sentir e não saber, não eu que vi seus olhos e seu cuidado dizerem coisas contrárias à sua voz.

Bem depois desses dias eu me refiz, seria cômico se não fosse trágico e bastante dolorido me comparar a fênix, mas foi bem assim que eu me refiz. Na ausência, na distância, na saudade, vendo de perto o quanto era mais fácil pra você lidar, tendo que conviver com “tudo” o que um dia foi uma ameaça ao que “poderia ser” bem na minha frente. Foi assim que eu me refiz e aprendi, porque como dizem por aí: “a gente é jovem, a gente aprende, a gente entende.”.

Eu aprendi que nunca vou desejar menos do que o melhor pra você, eu nunca vou desejar que você se perca, eu nunca vou querer você tão longe que eu não possa alcançar ainda que eu deseje que você voe alto. Eu aprendi que eu posso ser bem maior que meu sentimento, que ele é tão bom que não é capaz de me matar, mas me mudar, me aperfeiçoar e me fazer seguir algum dia , quando ele tiver me ensinado tudo o que preciso aprender, quando você se encontrar e perceber que nunca faltou, sempre esteve perto e você não foi capaz de ver.

Uma lua nova.

O novo.

Eu já não vislumbro um mundo no qual somos “nós”, eu já não me perco em expectativas e desejos, eu realmente já não sou a mesma pessoa, a mesma mulher. O novo assusta, mas é necessário. A gente aprende. A gente entende. Eu me refiz.

A gente aprende muita coisa nessa vida, mas a capacidade de lidar e conviver com determinados sentimentos e situações ainda me surpreende aprender.

Eu aprendi que sou bem maior do que o que eu sinto.

Eu aprendi que eu não sou tão forte para não sentir.

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